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  • Ray

(Manual de Instruções da) Guilda de Narradores, Mestres e Hérois

Download do Manual AQUI.

Vamos começar com uma história. Havia um grupo de RPG, e ele era um grupo muito bom. Excepcionalmente grande para um grupo semanal (9 jogadores!) mas o engarajamento e a vontade de estar lá de todos eles era tanta que, de alguma forma, tudo dava certo. As interpretações eram impressionantes, a história era intrincada, e Domingo a Domingo, todos saiam empolgados e ansiosos pela próxima sessão. Mas como dizia minha amada mãe, não há bem que sempre dure. Diferentes perspectivas do que era um bom jogo, e de quais prioridades deveriam ser levadas em questão começaram a surgir. Quanto tempo dois jogadores podem ficar na mesma cena? Todas as cenas que os personagens quiserem fazer merecem ser interpretadas? O que acontece com a história se ela depende de um personagem, e o jogador falta a sessão? Quanto o mestre pode narrar ou descrever as ações dos PCS? De quem é a responsabilidade de desenvolver a história de um personagem, do jogador ou do mestre? Em jogos que são mais fluffy do que crunch, como criar a sensação de risco clara da qual depende uma boa narrativa? Existe uma resposta definitiva para qualquer uma dessas questões? Diante dessas e de muitas outras questões, eu decidi fazer a coisa óbvia: um workshop de 6 horas seguidas entupido de conceitos complexos e dinâmicas em diferentes níveis para explorar temas fundamentais ao RPG e ferramentar meu grupo de jogadores - bem como outros amigos que convidei - com terminologias e conceitos que eu achava que facilitaria a eles expressar seus diferentes pontos de vista. Foi um desastre. As pessoas ficaram exaustas (no shit Sherlock, really?), as minhas relações pessoais com muitos me impediam de exercer o controle da sala que a condução do Workshop necessitava, e o meu cronograma de atividades super planejadinho descarrilhou em mais de uma hora logo quando a primeira atividade, qeu deveria levar 15 minutos, levou uma hora. Nem deu para chegar ao final. Eu estava desolada. Você vê, eu tinha gasto horas e horas redigindo o manual, criando o cardgame e a ficha de jogador que eram parte do processo, preparando os Tokens que seriam parte da experiência, planejando e preparando tudo. Ao final, enquanto eu arrumava as mesas e limpava o salão, eu tinha que morder a boca para não chorar diante do meu fracasso. Quando, aos poucos, algumas pessoas vieram falar comigo. Elas me disseram que apesar de cansativo, o workshop tinha lhes apresentado idéias que elas nunca antes associaram com RPG. Que haviam elementos de Narrativa nos quais eles não haviam pensado, modos de pensar no Jogo que nunca tinham valorizaro. Que as discussões - longuíssimas, com réplica, tréplica, quáplica e quinplica (hã?) - tinham expandido compreensões de posições alheias e dado muito o que considerar. Meu workshop tinha sido horrível, mas de alguma forma ainda tinha funcionado. Naquele momento, eu soube que a coisa que eu mais queria era continuar melhorando aquele workshop, e produzindo conteúdo como aquele, para que outros jogadores e mestres de RPG pudessem experienciar não apenas o lado bom daquele workshop, mas muitas outras coisas, e se juntassem à discussão criando e promovendo suas próprias perspectivas sobre RPG. Assim nasceu o Farol do Leocórnio. E eu tenho tentado fazer isso desde então ;) O Manual de Instruções Composto inicialmente como base do workshop, foi com agradável surpresa (e um suspiro de alívio) que eu percebi que ele funciona bem como leitura solo. Ele é composto de: -Uma ficha de Jogado (sim, sobre você!) -As instruções para o cardgame Quem É Esse Jogador? -Uma perspectiva sobre novas mídias e suas características (RPG, Multiversos e Fanfics) -Uma tradução dos tópicos do Same Page Tool, do blog Deeper in the Game (leitura interessantíssima) -Uma perspectiva no aspecto Jogo, baseado em Game Design e Salen&Zimmerman -Uma perspectiva no aspecto Narrativa, baseada em Joseph Campbel e Maureen Murdock -Uma perspectiva no aspecto Simulação, baseada em Stanislavski


Os Tokens e o resto do Design experience aqui para vocês, mas bem, talvez seja melhor assim. =P

O Manual está disponível para download no começo do post, e como eu sou boazinha, aqui também. Quaisquer sugestões, críticas, revisões e comentários são muito bem-vindos. E se vocês decidirem se inspirar e fazer seus próprios workshops de RPG e Manuais de Instruções, eu aguardo ansiosamente o meu convite. <3


(As fotos foram tiradas pela maravilhosa Ana Saupe, que tem Insta e Canal.)





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